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Mais Valia ou Mais Valerá?

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LEGALIZAÇÃO DE IMÓVEIS · RIO DE JANEIROMais Valiaou Mais Valerá?Outorga onerosa: quando integrar a varanda à salavira uma conta com a prefeitura.SALAVARANDALIMITEPOTENCIAL CONSTRUTIVOEXCEDENTEfontespegorim.com
Varanda integrada à sala: a área que passa a computar excede o potencial construtivo do lote.

Um caso que aparece direto no escritório: o proprietário de um apartamento faz uma obra e integra a área da varanda à sala de estar. A reforma fica pronta, tudo parece resolvido — até que, meses depois, chega uma intimação da prefeitura para abrir um processo de legalização e recolher uma taxa chamada Mais Valia.

Na maioria das vezes, o proprietário não entende de onde saiu essa cobrança. A explicação está em um conceito do urbanismo que quase ninguém conhece até esbarrar nele: o potencial construtivo do terreno.

Todo terreno tem um limite: o potencial construtivo

Cada lote tem um potencial construtivo máximo fixado por lei — o total de área que pode ser edificada ali. Quando o edifício foi aprovado, ele já distribuiu esse potencial entre as unidades. Em regra, o prédio pronto já consumiu todo (ou quase todo) o potencial do terreno.

Aqui entra um detalhe técnico que muda tudo. No Rio de Janeiro, as varandas não "consomem" esse potencial construtivo — elas são contabilizadas de forma diferente das áreas fechadas. Mas, no momento em que a varanda deixa de ser varanda e passa a integrar a sala ou o quarto, ela vira área computável e passa a consumir o potencial construtivo do lote.

Como o prédio já tinha usado o seu limite, esse acréscimo — a varanda que virou sala — excede o máximo permitido. E é exatamente esse excedente que a prefeitura cobra.

O que é a Outorga Onerosa (a tal "Mais Valia")

"Mais Valia" é o nome popular. O termo técnico é Outorga Onerosa do Direito de Construir.

Na prática, é um valor pago pelo proprietário, proporcional à área que excedeu o potencial construtivo, para compensar o município por permitir construir acima do limite fixado em lei. Você está, literalmente, comprando do município o direito de construir aquele metro quadrado a mais.

Não é multa. É contrapartida: a lei permite ultrapassar o limite, desde que se pague por isso.

É só pagar? Não. Existe um processo formal

A pergunta que sempre vem em seguida: "então é só pagar a taxa e pronto?" Não.

Há um processo formal junto ao órgão competente, e ele precisa ser conduzido por profissional habilitado — arquiteto ou engenheiro civil, com a devida responsabilidade técnica em RRT. O caminho passa por levantar a situação real do imóvel, calcular a área excedente, montar o projeto e protocolar o pedido para análise.

Uma vez aprovado, o município emite um DARM (Documento de Arrecadação Municipal) com o valor a ser pago. É esse documento que quita a outorga e permite seguir com a legalização.

O objetivo do processo é levar o imóvel de irregular a regularizado — com documento, projeto e responsabilidade técnica.

Mais Valia × Mais Valerá: legalizar o que existe ou licenciar o que ainda será

Aqui está o trocadilho — e a diferença que pesa no bolso e no prazo.

A Mais Valia legaliza o que já foi construído sem licença. É o caso do proprietário que fez a obra primeiro e foi intimado depois — prática muito comum, mas irregular. Paga-se a outorga sobre o que já está de pé.

A "Mais Valerá" licencia o que ainda será construído. É a mesma outorga onerosa, só que antes da obra: o cálculo é feito com base no projeto aprovado, o DARM é pago antecipadamente, e a construção sai do papel já regular. Com a obra pronta, solicita-se a vistoria e a finalização formal.

Mesmo instrumento, momentos diferentes. Fazer antes (licenciar) evita intimação, embargo e o risco de a obra não poder ser regularizada. Fazer depois (legalizar) é possível sempre que a obra respeita a legislação — mas costuma ser o caminho mais caro em tempo e em risco.

Recebeu uma intimação — ou pretende integrar a varanda?

Se você já foi intimado, o caminho é levantar a situação real do imóvel, verificar o enquadramento na legislação vigente e conduzir o processo de legalização com o recolhimento da outorga. Se você ainda vai reformar, o ideal é licenciar antes: sai mais barato e sem sobressalto.

"As regras e os valores da outorga onerosa variam conforme o município e o caso concreto. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise técnica do seu imóvel."
José Fontes Pegorim
Autor

José Fontes Pegorim, MSc

Arquiteto e Urbanista — CAU-RJ A119084-9 · Mestre em Engenharia Civil (UFF) · Perito Judicial TJRJ
Perguntas frequentes

Sobre a Mais Valia

O que é a Mais Valia na legalização de imóveis?

"Mais Valia" é o nome popular da Outorga Onerosa do Direito de Construir: um valor pago ao município, proporcional à área que excede o potencial construtivo do terreno, para compensar a permissão de construir acima do limite fixado em lei.

Toda varanda paga outorga onerosa?

Não. No Rio de Janeiro, a varanda em si normalmente não consome o potencial construtivo. A cobrança surge quando a varanda é integrada à sala ou ao quarto e passa a ser área computável, excedendo o limite do lote.

Qual a diferença entre "Mais Valia" e "Mais Valerá"?

É o mesmo instrumento (outorga onerosa) em momentos diferentes. A Mais Valia legaliza uma obra já construída sem licença. A "Mais Valerá" é a outorga paga antecipadamente, sobre o projeto aprovado, antes de construir.

É só pagar a taxa para legalizar?

Não. Existe um processo formal junto ao órgão municipal, conduzido por arquiteto ou engenheiro civil habilitado, com responsabilidade técnica. Após a aprovação, o município emite um DARM para pagamento.

Preciso de arquiteto ou engenheiro para pagar a outorga onerosa?

Sim. O processo exige profissional habilitado (arquiteto ou engenheiro civil) que assine a responsabilidade técnica, elabore o projeto e conduza a tramitação junto à prefeitura.

O que é o DARM?

DARM é o Documento de Arrecadação Municipal — a guia emitida pela prefeitura, após a aprovação do processo, com o valor da outorga onerosa a ser recolhido.

Precisa legalizar uma obra ou vai integrar a varanda?

Fale diretamente com o escritório.

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